Transgêneros

O termo transgênero surgiu pela primeira vez em meados dos anos oitenta, para definir uma categoria de transtorno de gênero que não era abrangida nas que já haviam. Existiam duas categorias gerais gays e travestis, mas sabemos que os transtornos de gêneros são muito mais abrangentes que isso, tendo transformistas, travestis, intersexistas, crossdressers entre outros.

O grande diferencial dos transgêneros em relação aos outros transtornos de gênero, é que eles de fato não se identificam com o sexo em que se encontram. A frase mais ouvida entre eles é: “estou no corpo errado”. Esses indivíduos se sentem totalmente do gênero oposto aos seus corpos, e sofrem um desconforto persistente em relação ao próprio sexo.

É importante lembrar que identidade de gênero e atração sexual são coisas muito diferentes, por isso ser transgênero não significa ser homossexual.

Os trans (como são conhecidos os trangêneros), já demonstram, desde muito cedo, sua insatisfação com o próprio corpo. Existem casos de crianças de 3,4 anos que já se descobriram como transgêneros, e vivem com o sexo que se identificam. O apoio dos pais e a busca por médicos especializados nesse tipo de assunto é essencial. Nesses casos a função dos pais é perceber se a criança não está passando por uma fase, se é gay, ou de fato possui transtorno de gênero.

A identidade sexual nesses casos, não está nada ligada ao corpo e órgãos, está ligada ao mental, chamado “sexos cerebrais”, o seu sexo pode ser masculino, mas o seu gênero feminino e vice-versa. Reforçando que o sexo é ligado ao corporal, aos órgãos sexuais, e gênero é mais comportamental e social.

Com o acompanhamento médico correto, as crianças trans podem ao entrar na puberdade iniciar o tratamento hormonal, que inibirá o corpo de tomar formas do sexo que não se identifica.  Além disso o tratamento hormonal permite ao indivíduo desenvolver algumas características do seu gênero, por exemplo, no tratamento de uma mulher transgênero, o hormônio induz o crescimento de mamas, suaviza os traços no rosto e afina voz. Já no tratamento de transgêneros masculinos, crescem os pelos, a voz fica mais grave, feições mais brutas e interrompe a menstruação. Ao chegar na maioridade os trans podem fazer a cirurgia de mudança de sexo.

Existe um documentário chamado “Meu Eu Secreto”, que conta as histórias de crianças transgêneros. Esse documentário está disponível no Youtube:

Uma entrevista com o Dr. Johanna Olson, Professora Assistente de Medicina do Adolescente no Hospital Infantil de Los Angeles

P: Como pode um pai saber se seu filho é transexual?

R: Muito disso depende da idade da criança. Na maior parte da pesquisa em curso sobre isso, não há um consenso claro na comunidade ou entre os pais. O termo "transgênero" em si passou por mudança dinâmica ao longo do tempo, mas é geralmente entendido como alguém que tem uma identidade de gênero, uma expressão de gênero, uma performance de gênero que está fora das normas culturais esperadas para seu sexo atribuído ao nascer.

Também é verdade, porém, que há um grande número de crianças que são pré-puberais [na fase imediatamente antes da puberdade] que têm comportamentos de não-conformidade do gênero, que não se rotulam como transgênero. A verdade é que nós realmente não sabemos se essa criança em não-conformidade de gênero na infância vai passar a ter uma identidade trans na adolescência ou na idade adulta. O que sabemos é que no momento em que as crianças atingem a adolescência, se eles têm uma identidade de gênero diferente do seu sexo atribuído à nascença, que é muito provável que eles vão continuar a ter essa identidade de gênero. Assim, a adolescência é um momento importante quando falamos de tratamento.

P: Como você se aproximar de uma criança que apenas expressa algum comportamento de não-conformidade, em oposição a dizer uma criança que persistentemente, insistentemente e consistentemente diz "não, eu não sou um menino, eu sou uma menina"?

R: Eu acho que você tem que seguir a abordagem afirmativa para cuidar - então o que essa criança precisa para se sentir mais seguro e sentir o mais inteiro naquele momento no momento ? E a grande questão é que você dê suporte a uma criança passando por uma transição social na primeira infância.

 

A realidade sobre essas crianças que estão pedindo para viver com um gênero diferente do seu sexo atribuído de nascença é que eles geralmente têm imensas quantidades de disforia de gênero. E nós sabemos que as crianças que são mais disfóricas gênero na infância são mais propensos a ter identidades trans como os adolescentes e adultos.

Aqui, então, é onde fica difícil. A transição social tem de ser uma necessidade da criança, não dos pais. Se um pai quer que sua criança faça socialmente a transição porque é mais fácil do que apenas ter uma criança que não apresenta conformidade de gênero, isso é um problema. E eu tenho que dizer - isso é muito importante - ter um dito menino ao nascer que quer vestir roupas de meninas e pintar as unhas, mas não se identificar como uma menina é um lugar muito difícil. É um lugar difícil para os pais; é um lugar difícil para cuidadores; é um lugar difícil para os parentes; é um lugar difícil para a criança. Por isso é fácil de imaginar, em seguida, "Ei, você não pode apenas viver como uma menina a tempo inteiro?" Pode parecer uma solução mais fácil para um cenário difícil.

P: O que você diria para um pai que chega até você com uma criança de 4 ou 5 anos de idade que eles acham que pode ser transexual?

R: Eu recomendo sempre que a família faça um fim de semana onde a criança experimenta o outro sexo e veja o que acontece. Se você está nervoso sobre isso, vá a algum lugar por um fim de semana onde seu filho seja capaz de viver com o sexo que ele afirma ter, e veja o que acontece com seu filho. Veja o que acontece quando ele está com a roupa que escolher. Pode ser muito esclarecedor.

Eu acho que é realmente importante que antes das pessoas entrarem em pânico sobre a transição social que parem e se perguntem: "Quais poderiam ser as consequências disso? Será que é realmente tão ruim assim?".  Quando pensamos em dar às pessoas a oportunidade de vivenciar ambos os papéis de gênero, fazemos um grande serviço para a sociedade. Eu nunca vi o argumento que é prejudicial deixar as crianças explorarem  gênero. As pessoas têm um ataque psíquico sobre isso, mas não é necessário.

Só porque você deixa seu filho crescer o cabelo e usar vestidos e utilizar um nome diferente ? Isso é tudo reversível. Este é um dos problemas sobre todo o conceito de encobrir, sendo discretos. Acrescenta esta camada ridícula de sigilo que está realmente se tornando arcaica no contexto das novas formas como estamos pensando em sexo. Ele propaga a ideia de que você só pode ser de um gênero por toda a sua vida e que o sexo é determinado com base em seus órgãos genitais no nascimento. Eu só acho que esse conceito está se tornando ultrapassado.

Referências:

– Entrevista com Dra. Johanna Olson, Professora Assistente de Medicina do Adolescente no Hospital Infantil de Los Angeles

– Documentário “Meu Eu Secreto”

–  Roberto B. Graña “Transtorno da identidade de gênero na infância”

– Leticia Lanz “Transgênero: um histórico do tempo”

– Matéria crianças transgênero – Doutíssima

Outras Informações

© 2016 POR ANA LODI

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