• Letícia Lanz

TRANSGENTE


O Movimento Transgente é um movimento inclusivo, não identitário, que se articula em torno da luta pelos direitos civis das pessoas transgêneras, quaisquer que sejam as suas identidades (travestis, transexuais, crossdressers, dragqueens, homens trans, transformistas, andróginos, não-binários, etc.).


Em virtude de serem consideradas transgressoras do dispositivo binário de gênero que divide a humanidade em homens e mulheres, pessoas transgêneras ficam sujeitas a inúmeras e pesadas sanções sociopolíticas, econômicas e culturais. A luta do Movimento Transgente compreende a busca sistemática pela despatologização e desjudicialização da condição transgênera, bem como o combate ao preconceito, à discriminação, ao estigma e à transfobia, que constituem atos permanentes de violência física e simbólica dirigida à população transgênera.

A luta do Movimento Transgente é por direitos, não por identidades. Toda pessoa transgênera, é antes de mais nada, cidadã da República no pleno gozo dos seus direitos civis, uma vez que transgeneridade não é nem doença, nem delinquência, mas um simples desajuste do modelo binário de classificação de gênero, a que as pessoas são compulsoriamente submetidas ao nascer em função de um único órgão existente entre as suas pernas.

O Movimento Transgente parte do Princípio Constitucional que garante a toda pessoa a liberdade de expressão e o direito de viver em sociedade, independentemente de raça, sexo, religião ou ideologia política, devendo ter para isso o pleno e total apoio e garantia de proteção do Estado.

O Movimento Transgente vem ganhando corpo, representatividade e legitimidade junto à população transgênera do Brasil, por reivindicar a sua independência institucional e autonomia de ação relativamente ao movimento de gays, lésbicas e bissexuais do país. Essa autonomia é necessária e se justifica na medida em que, apesar da existência de demandas comuns com tais movimentos, os pleitos transgêneros, na sua maioria, são muito específicos devendo, portanto, serem especificamente equacionados e dirigidos à população transgênera.

Nossas principais demandas e reivindicações são:

1 – Direito à obtenção, sem coações ou tutelas de qualquer natureza, a um nome CIVIL, compatível com a identidade de gênero expressa publicamente pela pessoa transgênera;

2 – Direito ao acolhimento, respeito e proteção no ambiente escolar, livre de discriminação, segregação e bullying por parte de alunos, professores, funcionários administrativos e diretores. Mas principalmente sem pressões de qualquer natureza visando o “enquadramento” da pessoa transgênera ao dispositivo binário de gênero;

3 – Direito ao trabalho, emprego e ao exercício pleno de uma profissão e/ou função, com igualdade de oportunidades e igualdade de vencimentos.

4 – Abolição total de práticas pseudo-terapêuticas, de natureza clínica ou religiosa, visando a “recuperação” de pessoas transgêneras.

5 – Educação e apoio às famílias de pessoas transgêneras para compreensão, aceitação e acolhimento dos seus membros transgêneros.

6 – Preparação de profissionais das diversas áreas de especialidade (medicina, psicologia, educação, direito, jornalismo, etc) para compreensão, aceitação e acolhimento das pessoas transgêneras.

7 – Monitoramento permanente da mídia, com orientação e crítica sistemáticas às matérias que estão sendo veiculadas sobre a população transgênera.

8 – Campanhas sistemáticas de informação ao grande público sobre o que é a condição transgênera, separando a questão de gênero da questão de orientação sexual e combatendo sistematicamente a transfobia. (Letícia Lanz)


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© 2016 POR ANA LODI

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